Deixa o que seja ser...

Mesmo que você veja e não seja eu... você vai descobrir a mim se souber ou puder... se tentar... me ver nas entrelinhas...

Saturday, May 27, 2006

Código Da Vinci

Ficou bom tempo na dúvida, sem saber se falava dela ou de si. Foi quando pensou em omitir o sujeito que percebeu: no pretérito imperfeito do indicativo (não só nele, mas, no caso, era ele que importava), a 1ª e a 3ª pessoa do singular são iguais.

Pensava. Queria. Não sabia. Ria. Chorava. Sofria. Se perdia e (achava) se encontrava. Mentira. Ou engano. Queria que soubessem que precisa de ajuda sem que o dissesse explicitamente, mas que enviava sinais, enviava. E quantos.

Agora, tudo fazia (pouco) sentido. No entanto, é sempre assim: no final do filme, quando o roteiro se mostra, é tudo tão óbvio; as indicações, tão claras. Mas o filme não acabou, e talvez entendendo os sinais e pistas ainda possam (todas elas) mudar o desfecho indesejado.

Friday, May 05, 2006

O homem que matou Getúlio Vargas

Anteontem, um aluninho olha para mim bem sério e diz:
- Tia, quando tu crescer tu quer ser professora?
- ...

Assim, fui medida ombro a ombro com o mais baixo dos professores... Quer dizer, com o segundo mais baixo dos professores... E todo mundo chegou à conclusão que o menino tinha razão ao fazer a pergunta... e eu, com 1,59m, posso mesmo reclamar?

Piadas à parte, isso me fez pensar muito... É realmente difícil seguir um caminho quando a gente não sabe muito bem aonde quer ir.

Friday, April 21, 2006

A casa do escritor

Foi anos atrás. A "prima" disse que gostava de ler porque podia imaginar tudo como num filme do jeito que queria. Imaginava os atores preferidos, tudo. O mocinho era sempre uma variação de Tom Cruise, Brad Pitt, Richard Gere. E ela pensou "que besteira, eu gosto de ler porque eu gosto. Imaginar ator? Tom Cruise e tal? Que coisa besta."

Depois foi num filme, ou livro, ou alguém contou... Um cara imaginava tudo como se fosse um filme. A fantasia criada ali, na frente dele. Mas quantos roteiros já não usaram esse mote? A metalinguagem pura e simples, o personagem se percebendo personagem e mudando a própria (his/es)tória.

Depois era o que ele mesmo tinha escrito que o fazia perceber quem ele era, e usava isso para voltar no tempo e tentar corrigir a própria vida. Só que não havia "vida perfeita". Por mais que tentasse, não conseguia que tudo o que queria ao mesmo tempo. Bem, nós fazemos isso o tempo todo...

Quantas vidas já não vivemos para que chegássemos até aqui, até agora... tentando, a cada vez, corrigirmos os nossos erros e simplesmente não acabamos caindo em outras armadilhas, cometendo outras falhas, atraindo outras afeições e aversões... recomeçando o jogo com mais informações e mesmo assim nunca vencendo? Corrijo: e, mesmo assim, até agora não vencemos?

Bem, se tudo isso é mesmo um filme, eu só queria saber de que tipo de filme se trata. Pelo amor de Deus, que não seja uma comédia do Woody Allen. Nada contra algumas delas nas telas, só não as quero em minha própria vida. Nem um suspense, desses que mostram um final sem final, porque a estória vai continuar - e se tornar pior. Para a minha própria vida, não quero muita coisa, não. Só algo bem meloso, com final feliz e boa trilha sonora, como os filmes de que sempre gostei, desde a infãncia.

Saturday, June 25, 2005

Violetas na janela

Viagem looooonga. E, ao chegar em casa, encontrar os caros aos coração. Tanta figurinha pra trocar, tanta estória (boba ou não) para contar... que a vontade é se espalhar, jogar as coisas por todo canto. Retomar o espaço que é seu.

Deixar a casa com cheirinho de lar, por mais a vida a tenha afastado de tudo aquilo. Na verdade, ultimamente, tem pensado muito nesse argumento de que "a vida fez isso", "a vida fez aquilo"... tem que ver melhor o que a vida fez e o que foi culpa sua mesmo.

Voltar pra casa já é um bom começo, dá forças e incentivo. Pra tudo o que precisa começar - e para pôr um fim no que já deveria ter acabado há muito tempo.

Wednesday, February 02, 2005

A marca de uma lágrima

Não havia lágrimas. Não havia dor. Não havia então e nem houvera quando ficou sabendo. E não, não foi torpor, nada daquele vazio de sensações que antecede o desespero, ou as dores maiores. Simplesmente não houve nada.

O coração disparara sim, mas pela dor que o acontecimento poderia causar nas pessoas que amava. Parara um segundo com a imediata lembrança de quem mais sofreria, de quem ela não queria que sofresse nunca, de quem ela queria proteger mais que qualquer coisa.

Não disse nenhuma palavra de conforto, até porque não acreditava nelas, e não tentaria amenizar a dor tão real com aquela névoa de frases vazias. Como falar da inversão da ordem natural das coisas? Como? E como falar da saudade pela ausência de um amor que ela nunca acreditara existir? Como consolar?

Além daquelas, que haviam rolado dos avermelhados olhos ladeados de rugas que tanto amava, não vira lágrimas outras. Não sentira perda em ninguém mais. Todos vivendo mais aquele dia como qualquer, mais atribulado, talvez.

E ela só parada, pensando em tanta coisa, meu Deus. Não acreditava que com a morte o sofrimento acaba, não acreditava em esquecer a vida que fora vivida, não acreditava nessa mania besta que as pessoas têm de falar bem de que já se foi simplesmente por não estar presente.

Não acreditava, tampouco, em guardar ressentimento, em amarrar seu destino a quem tanto mal já fez. Acreditava em rezar pela caminhada contínua, em lembrar momentos bons sim, mas sem forçar depoimentos ingenuamente – ou forçadamente - positivos. Não é a morte que transforma as pessoas em anjos, mas a luz que delas irradia.

E aí sim, quis chorar, falou com voz embargada, pensou em tanto que ainda teria que viver – viver sim, aqui ou alhures-. No sofrimento tanto, que só começava. Rezou pela compreensão do que acontecera, rezou para que o protegessem – até de si. Rezou para que percebesse a eternidade, a luz, o crescimento tão necessário e inevitável. E chorou. Porque não conseguira chorar.

Tuesday, February 01, 2005

Longo caminho de volta

Acordou sem saber onde estava, tudo ao redor era claro, muito claro. Um branco bem brilhante, que chegava a ofuscar. Ou talvez fosse porque estivera de olhos fechados por muito tempo. Tempo demais, diria. Já que era do tipo que adora dia, abrir a janela e apagar a luz.

Bem depressa, ela fechou os olhos de novo. E foi quando sussurraram no seu ouvido : "É só falta de costume. Daqui a pouco, você se sente em casa. Porque, afinal, esse é o seu lugar".

E seu peito se aqueceu. Aquela era uma voz familiar. E ela novamente abriu os olhos, com cuidado, observando bem ao redor. Buscando um pouco de si mesma naquele espaço que, ela também sentia, era seu.

Monday, June 07, 2004

TESTE TESTE