A marca de uma lágrima
Não havia lágrimas. Não havia dor. Não havia então e nem houvera quando ficou sabendo. E não, não foi torpor, nada daquele vazio de sensações que antecede o desespero, ou as dores maiores. Simplesmente não houve nada.
O coração disparara sim, mas pela dor que o acontecimento poderia causar nas pessoas que amava. Parara um segundo com a imediata lembrança de quem mais sofreria, de quem ela não queria que sofresse nunca, de quem ela queria proteger mais que qualquer coisa.
Não disse nenhuma palavra de conforto, até porque não acreditava nelas, e não tentaria amenizar a dor tão real com aquela névoa de frases vazias. Como falar da inversão da ordem natural das coisas? Como? E como falar da saudade pela ausência de um amor que ela nunca acreditara existir? Como consolar?
Além daquelas, que haviam rolado dos avermelhados olhos ladeados de rugas que tanto amava, não vira lágrimas outras. Não sentira perda em ninguém mais. Todos vivendo mais aquele dia como qualquer, mais atribulado, talvez.
E ela só parada, pensando em tanta coisa, meu Deus. Não acreditava que com a morte o sofrimento acaba, não acreditava em esquecer a vida que fora vivida, não acreditava nessa mania besta que as pessoas têm de falar bem de que já se foi simplesmente por não estar presente.
Não acreditava, tampouco, em guardar ressentimento, em amarrar seu destino a quem tanto mal já fez. Acreditava em rezar pela caminhada contínua, em lembrar momentos bons sim, mas sem forçar depoimentos ingenuamente – ou forçadamente - positivos. Não é a morte que transforma as pessoas em anjos, mas a luz que delas irradia.
E aí sim, quis chorar, falou com voz embargada, pensou em tanto que ainda teria que viver – viver sim, aqui ou alhures-. No sofrimento tanto, que só começava. Rezou pela compreensão do que acontecera, rezou para que o protegessem – até de si. Rezou para que percebesse a eternidade, a luz, o crescimento tão necessário e inevitável. E chorou. Porque não conseguira chorar.

9 Comments:
Nem sempre a gente consegue chorar quando quer... o sentimento parece bem mais forte que não consegue sair por um canalzinho tão pequeno, é forte, é grande, tem que ser quebrado em mosaicos de sentimentos para assim poderem sair em forma de lágrimas...
E quem disse que chorar não é bom? É bom, faz bem, a gente se sente renovada, pelo menos sem aquele peso, aquela força, aquele sentimento gigante dentro de nós... ele ainda está lá... mas suavizado, amenizado... mais fácil de conviver.
Que foi que aconteceu, Nine? Vc tá bem? Quero saber! Fiquei preocupada! Me escreve! Tô escrevendo uma carta pra ti. Já tá imeeeensa! :O) Beijos!
Mas você está bem, né? Fiquei meio perdida quando li mas a Ceila me acalmou... Acho que você já sabe mas vale apena falar mais uma vez que caso você precise de alguma coisa é só falar.Beijo!
Mas você está bem, né? Fiquei meio perdida quando li mas a Ceila me acalmou... Acho que você já sabe mas vale apena falar mais uma vez que caso você precise de alguma coisa é só falar.Beijo!
Ledinha.
Amiga, espera a minha carta. Tô acabando ela (só não se assusta com o número de páginas...). Coloco nos Correios logo após o carnaval. Beijinhos!!!E comemorem o niver da Bina por mim...
Gorda :)
Passei no mestrado. :) Estou me mudando para Brasília em março. Antes disso, pretendo fazer um bota-fora familiar e um bota-fora orgiástico. :) A gente devia ir pra praia pra relembrar a nossa juventude. Heheheh :)
Beijundas
oi... oi... essa coisa de não conseguir chorar é a pior. por tantas vezes, parece ser a única atitude que adianta.
tu devia mudar esses comments. chega dá preguiça de falar qualquer coisa. e voltei com o blog, ó. arquejo.blogger.com.br
eu cheguei, eu cheguei!!!! finalmente eu vi, eu li, eu chorei junto!
te amo, coisinha. bem bastantão!
Cadê a atualização, hein?
Ô visita dura de acontecer, essa! Nã! :o)
Beijos, moça!
Lu
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