A casa do escritor
Foi anos atrás. A "prima" disse que gostava de ler porque podia imaginar tudo como num filme do jeito que queria. Imaginava os atores preferidos, tudo. O mocinho era sempre uma variação de Tom Cruise, Brad Pitt, Richard Gere. E ela pensou "que besteira, eu gosto de ler porque eu gosto. Imaginar ator? Tom Cruise e tal? Que coisa besta."
Depois foi num filme, ou livro, ou alguém contou... Um cara imaginava tudo como se fosse um filme. A fantasia criada ali, na frente dele. Mas quantos roteiros já não usaram esse mote? A metalinguagem pura e simples, o personagem se percebendo personagem e mudando a própria (his/es)tória.
Depois era o que ele mesmo tinha escrito que o fazia perceber quem ele era, e usava isso para voltar no tempo e tentar corrigir a própria vida. Só que não havia "vida perfeita". Por mais que tentasse, não conseguia que tudo o que queria ao mesmo tempo. Bem, nós fazemos isso o tempo todo...
Quantas vidas já não vivemos para que chegássemos até aqui, até agora... tentando, a cada vez, corrigirmos os nossos erros e simplesmente não acabamos caindo em outras armadilhas, cometendo outras falhas, atraindo outras afeições e aversões... recomeçando o jogo com mais informações e mesmo assim nunca vencendo? Corrijo: e, mesmo assim, até agora não vencemos?
Bem, se tudo isso é mesmo um filme, eu só queria saber de que tipo de filme se trata. Pelo amor de Deus, que não seja uma comédia do Woody Allen. Nada contra algumas delas nas telas, só não as quero em minha própria vida. Nem um suspense, desses que mostram um final sem final, porque a estória vai continuar - e se tornar pior. Para a minha própria vida, não quero muita coisa, não. Só algo bem meloso, com final feliz e boa trilha sonora, como os filmes de que sempre gostei, desde a infãncia.
